Por que?
Por Henry Burnnet
henry@volleyhouse.com.br

Sou um dos brasileiros que presenciaram, lá pelos anos 80, o começo deste fenômeno que é o nosso vôlei. Vi torcedores estourando fogos e gritando nas janelas quando nossa seleção feminina venceu o então imbatível Peru na disputa final do Sul-americano. Vi a volta do Bernard noticiada na capa da revista Veja e o surgimento das associações desportivas como Atlântica-Boavista, Varese, Supergasbrás entre outras tantas. Vôlei foi assunto do Globo Repórter. Assisti ao campeonato carioca na TV - e não foi só a final. Eu vi o Maracanã cheio para uma partida de voleibol. Vi o vôlei jogado nas ruas, com quadras cheias de excelentes jogadores. Finalmente, vi o Brasil evoluir ao posto de campeão olímpico, campeão mundial, campeão de tudo. Só que, agora, com as ruas vazias. Aparentemente toda essa evolução não foi boa para todos.

Hoje, o melhor vôlei do mundo é o brasileiro. Melhor na quadra e na areia. Simplesmente o melhor. Conseqüência de um trabalho bem feito ao longo de muitos anos, responsável por elevá-lo ao posto de segundo esporte do país. Mas confesso que não entendo como o melhor vôlei do mundo pode se tornar tão fechado. Eu pergunto: Onde estão as competições regionais de alto nível? Porque não se fazem mais os campeonatos de rua? Como se processa a renovação de um esporte, se não há onde praticar? Bem, o fato é que essa renovação acontece, talvez de maneira meio misteriosa, mas acontece. E assim o Brasil vai se mantendo no topo da lista. O que me aflige é não saber até quando o segundo esporte nacional vai conseguir sobreviver dentro dessa luxuosa panela.

Não há como popularizar um esporte sem incentivar o público a praticá-lo, porque torcedores de quase todos os esportes são praticantes dos mesmos. Nada melhor que assistir a uma partida na TV e depois ir se ‘acabar’ numa pelada. Pequenas competições servem para manter aceso o fogo da torcida. Mas, ao contrário disso, há uma aparente separação, que mata aos poucos a paixão dos amantes desse esporte, que parece preferir tietes. E, do ponto de vista comercial, estes ‘torcedores-jogadores’ são os que consomem os produtos dos patrocinadores. Tietes só juntam fotos e autógrafos. Nada contra, mas a coisa poderia ser bem melhor direcionada.

O voleibol de praia brasileiro leva etapas para lugares onde o esporte às vezes nem é praticado, em troca de arenas lotadas de curiosos. Como é possível alguém se apaixonar por um esporte que só é visto ao vivo uma vez por ano e que pouco aparece na TV e nos jornais? E o patrocinador ganha o que com uma platéia dessas? A ciência do marketing evolui para resultados cada vez mais precisos e, com as coisas desse jeito, imagino que daqui a algum tempo um anunciante seja aconselhado por sua agência de propaganda a investir em qualquer coisa, menos voleibol, porque o vôlei brasileiro só é animado mesmo para quem está dentro dele, e são poucos os que estão dentro.

Um dos maiores fabricantes de material esportivo do Brasil precisou recorrer à ficção para realizar uma de suas propagandas, na qual o slogan diz invente seu jogo. Poderiam ter usado elementos reais, assim como grandes anunciantes cansam de fazer com o futebol, onde os jogadores são verdadeiros garotos propaganda, mas parece que o vôlei de verdade está chato demais, principalmente para quem joga. Se essa organização que mantém a elite do nosso vôlei no topo se interessasse em tirar a torcida do sofá, acho que as coisas poderiam ser melhores.

Afinal, por que o melhor voleibol do mundo não se promove junto à sua própria torcida? Por que nós, pobres torcedores, não podemos jogar um torneiozinho de rua bem organizado de vez em quando? Por que o Rio de Janeiro, Meca do voleibol de areia, não tem um circuito carioca decente? E por que não conseguimos apoio das nossas federações para realizar nossos míseros eventos.

Já que não são criadas as oportunidades que nós amantes do voleibol esperamos, fica minha sugestão: a Confederação poderia criar um programa para abraçar os pequenos eventos de iniciativa privada, colocando em cada quadra do país seu carimbo e determinando através das Federações os procedimentos e, principalmente, oferecendo facilidades para que estes eventos possam acontecer em favor da promoção do voleibol. Seria bom para todos. Então me digam, por que não pode?

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Já está disponível para baixar o vídeo completo da temporada 2005-2006, com lances maneiríssimos, entrevistas e muita música.

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